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Sobre o nosso lixo eletrônico

Publicado em

12 nov 2025

Você já parou para pensar no que acontece com os celulares, computadores e televisões que deixam de funcionar?

Todo esse material se transforma em lixo eletrônico, também chamado de e-lixo. Ele é formado por equipamentos e peças descartadas que contêm metais e substâncias químicas perigosas, como chumbo e mercúrio. Quando jogado no lixo comum, pode contaminar o solo, a água e até o ar.

O Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina e o segundo nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados da ONU e do relatório Global E-Waste Monitor 2024, o país gerou cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022, o equivalente a mais de 11 quilos por pessoa. Apesar desse volume, menos de 4% de todo o material é reciclado de forma adequada. A maioria ainda vai parar em lixões ou aterros, sem tratamento correto.

O que um dia foi tecnologia de ponta, hoje é lixo eletrônico. A foto nos faz pensar: estamos preparados para lidar com as consequências do nosso próprio consumo? | Foto: Reprodução

Mas por que isso é um problema tão sério? Além do risco de contaminação ambiental, o descarte incorreto representa uma perda de recursos valiosos. De uma tonelada de lixo eletrônico, é possível extrair em média 350 quilos de ferro, 170 de cobre, 150 de plástico, 70 de alumínio, além de pequenas quantidades de ouro, prata e platina. Esses materiais poderiam voltar para a indústria, reduzindo a necessidade de novas minerações.

O que um dia foi tecnologia de ponta, hoje é lixo eletrônico. A foto nos faz pensar: estamos preparados para lidar com as consequências do nosso próprio consumo?

Para tentar resolver esse desafio, o Brasil conta com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e com o Decreto nº 10.240/2020, que criou o sistema de logística reversa para produtos eletrônicos. Isso significa que fabricantes, comerciantes e consumidores compartilham a responsabilidade pelo destino final desses produtos. Ou seja, ninguém pode simplesmente “jogar fora” e achar que o problema acabou.

Mesmo assim, os resultados ainda são modestos. Muitas cidades não possuem pontos de coleta, e grande parte da população não sabe onde levar os equipamentos usados. Por outro lado, surgem boas iniciativas: cooperativas e universidades têm formado catadores e catadoras para desmontar corretamente computadores e celulares, separando peças e revendendo materiais com valor maior no mercado. Esses projetos ajudam o meio ambiente e também aumentam a renda de muitas famílias.

O Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir) da USP, por exemplo, recebe cerca de 12 toneladas de equipamentos eletrônicos por mês. Depois de uma triagem, parte dos materiais é reciclada e outra parte é consertada e doada para projetos de inclusão digital.

O lixo eletrônico é, portanto, um grande desafio — mas também uma oportunidade. Se cada pessoa fizer sua parte, entregando seus equipamentos em locais corretos e cobrando responsabilidade das empresas, será possível transformar o que hoje é problema em fonte de renda, tecnologia e sustentabilidade. Afinal, cuidar do planeta também passa por cuidar do destino dos nossos aparelhos.

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Texto atualizado em 12/11/2025

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