Nos últimos meses, o número de casos de intoxicação por metanol cresceu nos hospitais de São Paulo, acendendo um alerta nas autoridades de saúde. Investigações revelaram que garrafas de cachaça, vodka e até uísque estavam sendo adulteradas com essa substância altamente tóxica.

O objetivo dos criminosos? Reduzir custos e aumentar o lucro. O resultado? Tragédias que poderiam ser evitadas.
Mas afinal, o que é o metanol? E por que ele é tão perigoso para o corpo humano?
O que é o metanol?
O metanol, também chamado de álcool metílico, é um tipo de álcool utilizado principalmente como solvente industrial, combustível e matéria-prima na fabricação de plásticos, tintas e outros produtos químicos.
Ao contrário do etanol — o álcool presente em cerveja, vinho e destilados —, o metanol não é seguro para consumo humano, mesmo em pequenas quantidades. Por isso, quando bebidas são adulteradas com essa substância, o risco de intoxicação grave é altíssimo.
Como o metanol afeta o corpo?
Quando ingerido, o metanol é metabolizado no fígado e convertido em formaldeído e ácido fórmico — dois compostos extremamente tóxicos. Essas substâncias atacam o sistema nervoso central e órgãos vitais.

Para entender melhor os perigos, veja alguns dos principais efeitos da intoxicação:
- Cegueira: o ácido fórmico danifica o nervo óptico, podendo causar perda total da visão.
- Náuseas e vômitos: os primeiros sintomas aparecem entre 12 e 24 horas após a ingestão.
- Dores de cabeça intensas: sinal de que o sistema nervoso está sendo comprometido.
- Dificuldade para respirar: causada pela interferência na respiração celular.
- Convulsões, coma e morte: em casos graves, a intoxicação pode ser fatal.
Por que é tão difícil perceber?
O metanol é incolor e tem sabor semelhante ao do etanol. Assim, uma bebida adulterada pode parecer totalmente normal. Os sintomas da intoxicação só aparecem horas depois, quando os danos já estão em curso — por isso, é chamada de intoxicação silenciosa.
Importante lembrar
Mesmo quando não adulteradas, as bebidas alcoólicas que contêm etanol também oferecem riscos. O etanol é uma droga lícita, mas pode causar dependência, sobrecarga no fígado, danos ao coração e prejuízos ao cérebro. A OMS considera o álcool uma das principais causas de morte evitável no mundo.
O antídoto
O tratamento contra intoxicação por metanol existe, mas precisa ser rápido. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o antídoto mais eficaz é o fomepizol, que bloqueia a transformação do metanol em substâncias tóxicas. Porém, esse medicamento não está disponível no Brasil.
Em situações de emergência, médicos podem recorrer a outros recursos, como o uso de etanol intravenoso (que compete com o metanol no metabolismo) e hemodiálise em casos graves.
Como as pessoas podem se proteger?
Embora nem sempre seja fácil identificar uma bebida adulterada, existem alguns cuidados que ajudam a reduzir os riscos. Essas medidas não garantem proteção total, mas podem fazer diferença para evitar tragédias:
- Evitar bebidas de origem duvidosa: em festas, bares ou mercados, é essencial que apenas adultos responsáveis comprem bebidas de locais confiáveis.
- Desconfiar de preços muito baixos: podem indicar adulteração.
- Estar atento aos sintomas: se alguém apresentar sinais após ingerir bebida alcoólica, deve-se procurar ajuda médica imediatamente.
Conclusão
O caso do metanol mostra como a química pode salvar vidas ou colocá-las em risco, dependendo do uso que se faz dela. Além disso, reforça que até mesmo as bebidas alcoólicas comuns, quando consumidas em excesso, trazem sérios riscos à saúde.
É importante destacar que, no Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas é proibido para menores de 18 anos, justamente por se tratar de uma substância que causa dependência e pode prejudicar o desenvolvimento físico e mental dos jovens.
Como cidadãos e futuros profissionais, é fundamental entender os efeitos das substâncias químicas, cobrar responsabilidade na produção e fiscalização e fazer escolhas conscientes.
Conhecimento é proteção.




