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Como o digital e a prática ativa reinventam a sala de aula

Publicado em

27 jan 2026

A presença de telas, redes e dispositivos móveis já não é uma previsão futurista, mas a realidade concreta de quem ocupa as carteiras escolares. No entanto, digitalizar a escola não significa apenas substituir o quadro de giz por uma lousa interativa ou o caderno por um computador. O verdadeiro salto de qualidade acontece quando a tecnologia encontra as Metodologias Ativas.

Nesse modelo, o foco sai da transmissão de conteúdo pelo professor e se volta para a construção do conhecimento pelo aluno. A tecnologia deixa de ser um “enfeite” moderno para se tornar uma linguagem essencial de acesso ao mundo, exigindo uma nova postura pedagógica.

Marcos Regulatórios: O digital como direito e competência

Diferente do que muitos pensam, o uso de tecnologias e a inovação metodológica não são apenas “diferenciais” de escolas de ponta, mas exigências legais que atravessam a educação básica brasileira. A estruturação jurídica atual foca em três pilares: competência, inclusão e regulação local.

Primeiramente, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) eleva a cultura digital ao status de competência geral (Competência 5). O documento determina que o estudante deve saber utilizar e criar tecnologias de forma crítica e ética. Ou seja, a escola que ignora o digital está descumprindo uma diretriz curricular obrigatória.

Em paralelo, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI – Lei nº 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial reforçam que recursos tecnológicos (como softwares leitores de tela e teclados adaptados) são direitos fundamentais para eliminar barreiras. Aqui, a tecnologia não é luxo, é acessibilidade e garantia de participação plena.

Por fim, sobre o uso de dispositivos móveis, é importante que o educador saiba que a Lei nº 15.100/2025 proíbe o uso de celulares em todos os espaços escolares nas quais são desenvolvidas atividades pedagógicas. Entretanto, no art. 2 § 1º da referida lei, o uso de aparelhos eletrônicos é permitido para fins estritamente pedagógicos. Além disso, o uso dos celulares também é permitido para: 1) garantir acessibilidade, 2) garantir a inclusão dos alunos, 3) atender às condições de saúde dos estudantes e 4) garantir os direitos fundamentais. A segurança jurídica do professor reside em conhecer essas regras e construir combinados claros com a turma.

O Professor mediador e o ensino híbrido

A inserção de tecnologias exige uma revisão da metodologia de ensino. Não se trata de usar o computador para fazer a mesma aula expositiva de sempre (apenas “digitalizando” a velha prática). A metodologia ativa propõe que o aluno seja o protagonista, resolvendo problemas e criando projetos.

Nesse cenário, destaca-se o Ensino Híbrido (Blended Learning), que mistura momentos presenciais com atividades digitais. O papel do professor transforma-se: ele deixa de ser o único detentor do saber para se tornar um curador e mediador. É o docente quem planeja quando e por que usar uma ferramenta, garantindo que a tecnologia tenha intencionalidade pedagógica.

Como apontam especialistas e documentos oficiais, a tecnologia deve ser um meio de acesso ao currículo, e não um fim em si mesma. Se o uso de um aplicativo ou dispositivo não tiver um objetivo de aprendizagem claro, ele se torna apenas uma distração. A metodologia ativa exige que a tecnologia sirva para personalizar o ensino, respeitando o ritmo de cada aluno e oferecendo diferentes trilhas de aprendizagem.

A Prática na realidade escolar

Para ilustrar como essa teoria aterrissa no chão da escola, vejamos três situações comuns e como resolvê-las com intencionalidade pedagógica:

1. O “Sinal Verde” para o Celular Em vez de travar uma guerra diária contra os smartphones, algumas escolas têm adotado estratégias visuais de mediação. Um exemplo prático é o uso de placas coloridas na lousa: “Sinal Verde” indica que o celular está liberado para pesquisa ou atividade pedagógica; “Sinal Vermelho” indica que é momento de guardá-lo. Essa prática simples ensina o aluno a ter autocontrole e a entender que o aparelho é uma ferramenta de trabalho, reduzindo conflitos e infrações.

2. O Livro Didático que “Fala” (PNLD) Com o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), as escolas recebem obras digitais em formato HTML5. O professor que utiliza metodologia ativa explora recursos como a narração em áudio. Na alfabetização ou para alunos com dificuldades de leitura, o professor projeta o livro, ativa o áudio e faz pausas estratégicas para discutir a história. Assim, ele transforma um recurso técnico em uma experiência coletiva de linguagem e interpretação.

3. Autonomia através da Tecnologia Assistiva: O uso de mouses especiais, acionadores ou softwares de comunicação alternativa permite que esse estudante realize as mesmas atividades que os colegas, sem depender o tempo todo de um adulto. O professor planeja a aula sabendo que a tecnologia será a ponte que elimina a barreira física, garantindo o direito de aprender.

4. Plataformas Educacionais: Muitas vezes, a escola adota uma plataforma digital, mas ela acaba sendo subutilizada. Na metodologia ativa, a plataforma é ferramenta de personalização. Em vez de apenas depositar arquivos, o professor utiliza recursos como quizzes interativos, atividades gamificadas e outras ferramentas para enriquecer o conteúdo didático. Além disso, as plataformas oferecem acesso a obras com recursos de acessibilidade através de chaves de acesso específicas. O professor mediador usa esses dados para identificar quem está com dificuldade e propor rotas de aprendizagem personalizadas, integrando a tecnologia de fato ao projeto político-pedagógico da escola.

Impactos diretos na aprendizagem

Quando a escola adota essa postura ativa e tecnológica, os resultados são visíveis na rotina. O primeiro grande impacto é o engajamento: ao utilizar ferramentas que fazem parte da vida do aluno (como vídeos, podcasts, aplicativos e jogos), a escola fala a linguagem dele, aumentando o interesse e a participação. Outro ponto fundamental é a personalização. Sem tecnologia, é difícil para um professor atender diversos ritmos diferentes. Com plataformas digitais e roteiros de estudos, é possível oferecer atividades de reforço para quem precisa e desafios extras para quem está mais avançado, respeitando a diversidade da sala.

Por fim, há o ganho na cultura de colaboração. Metodologias ativas frequentemente envolvem trabalhos em grupo e projetos. O uso de ferramentas digitais facilita essa troca, permitindo que os alunos construam conhecimentos juntos, desenvolvendo habilidades socioemocionais como empatia e trabalho em equipe, essenciais para a formação cidadã.

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