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Uma descoberta no porão: o passado e o presente da manteiga dinamarquesa

Publicado em

19 set 2025

Imagine entrar em um porão antigo e encontrar dois frascos cobertos de poeira, esquecidos por mais de um século. Foi exatamente isso que aconteceu com pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. Eles descobriram frascos datados da década de 1890 que continham culturas de bactérias do ácido lático — microrganismos usados na produção de manteiga.

Os frascos foram encontrados sob as estufas da universidade na Dinamarca | Imagem: Reprodução

Essas bactérias, como a Lactococcus cremoris, são essenciais para fermentar o leite, dando sabor e ajudando a conservar o alimento.

O mais surpreendente? Mesmo após cerca de 130 anos, os cientistas conseguiram extrair DNA dessas bactérias e identificar genes responsáveis por produzir o aroma amanteigado que ainda hoje é valorizado.

Mas essa descoberta vai além da curiosidade científica. Ela revela uma mudança profunda na forma como os alimentos passaram a ser produzidos. No final do século XIX, a Dinamarca começou a exportar manteiga em larga escala para a Inglaterra. Para garantir que o produto tivesse sempre o mesmo sabor e qualidade, foi necessário padronizar o processo de fabricação. Assim surgiram as chamadas “culturas iniciadoras” — bactérias selecionadas para garantir resultados consistentes.

Antes disso, cada família produzia manteiga de forma artesanal, com leite azedo deixado perto do fogão. Com a industrialização, veio a pasteurização e a necessidade de maior controle de higiene. Curiosamente, os frascos também mostraram sinais de contaminação por bactérias da pele humana, como a Cutibacterium acnes. Isso indica que os padrões de higiene eram muito diferentes dos atuais.

Da produção artesanal à indústria moderna: frascos do século XIX revelam como as bactérias ajudaram a transformar a manteiga em um produto global | Imagem: Gerada com SORA

E o mais fascinante: o Lactococcus não ficou no passado. Ele continua sendo usado hoje na produção de queijos, iogurtes e outros alimentos fermentados. Além disso, cientistas estão estudando formas de usar esse microrganismo como veículo para substâncias terapêuticas, levando remédios diretamente ao intestino e ajudando no tratamento de doenças como inflamações intestinais.

Essa descoberta é como uma verdadeira cápsula do tempo. Ela mostra como ciência, agricultura e indústria se uniram para transformar um produto caseiro em uma mercadoria global — e como o conhecimento do passado pode iluminar o presente.

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