A inteligência artificial (IA) está transformando o mundo — dos aplicativos de celular aos sistemas que controlam fábricas, hospitais e escolas. No entanto, por trás dessa inovação existe um custo ambiental crescente, que envolve o consumo de energia elétrica, água potável e até o uso de fontes polêmicas como a energia nuclear.
O consumo de energia: antes e agora
Os sistemas de IA funcionam em data centers, grandes instalações cheias de servidores que processam e armazenam informações. Essas estruturas operam 24 horas por dia e exigem quantidades enormes de energia.
Estudos mostram que, enquanto em 2010 o consumo global de energia dos data centers girava em torno de 200 bilhões de kWh por ano, esse número mais que dobrou até 2023. A projeção para 2026 é de ultrapassar 1.000 bilhões de kWh por ano (ou 1.000 TWh), como mostra a tabela ao lado.

Tabela: Consumo de energia nos data centers I Imagem: Clickideia
Esse crescimento acelerado está diretamente ligado à popularização da inteligência artificial e das criptomoedas, que exigem muito mais processamento do que aplicações digitais tradicionais, como redes sociais ou páginas da web. Além disso, estudos indicam que os data centers podem consumir até 50 vezes mais energia por metro quadrado do que um prédio comercial comum.
E a água? Um recurso silencioso
Além da energia, os data centers também consomem grandes volumes de água, usada para resfriar os servidores e evitar o superaquecimento. Em locais frios, algumas instalações utilizam ar externo para diminuir esse gasto, mas o consumo segue sendo relevante.
No Brasil, em 2022, os data centers utilizaram cerca de 0,003% da água potável disponível. A projeção para 2029 é de 0,008%, ou seja, mais que o dobro. Embora o percentual pareça pequeno, na prática representa milhões de litros por ano — um impacto significativo em regiões que já enfrentam problemas de escassez hídrica.
Energia nuclear: uma solução controversa
Para lidar com essa demanda crescente, algumas empresas estudam alternativas energéticas. A energia nuclear aparece como opção porque gera grandes quantidades de eletricidade sem emissão direta de gases do efeito estufa. Companhias como a Microsoft e o Google têm analisado o uso de reatores nucleares modulares, que são menores e considerados mais seguros do que os antigos. Contudo, o grande desafio continua sendo o destino dos resíduos radioativos, que precisam ser armazenados em segurança por milhares de anos.
Metas de sustentabilidade: por que elas existem?
As metas ambientais anunciadas por empresas de tecnologia têm motivos que vão além da preocupação com o planeta. Existe uma forte pressão de consumidores e investidores que exigem responsabilidade ambiental das marcas. Além disso, investir em eficiência energética reduz custos operacionais, e muitos países já criaram legislações que limitam as emissões de carbono e obrigam empresas a reportar seus impactos ambientais.
O Google, por exemplo, informou que cerca de 64% da energia usada em seus data centers já é renovável, chegando a 90% em algumas unidades. Já a Microsoft revelou que 96% de sua pegada de carbono vem de emissões indiretas, como a fabricação de equipamentos.
Conclusão
A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas seu impacto vai muito além das telas dos computadores e celulares. A cada avanço tecnológico, cresce a demanda por energia e água, além de aumentar a pressão sobre quais fontes energéticas serão priorizadas no futuro. Por isso, compreender esse custo ambiental é essencial.
Com esse conhecimento, podemos adotar um uso mais consciente dos recursos digitais, cobrar transparência das empresas de tecnologia e incentivar que invistam em soluções sustentáveis — como energia solar, eólica e sistemas de resfriamento mais eficientes — garantindo que a revolução digital caminhe junto com a preservação do planeta.




